Cultura da mandioca dará salto tecnológico em Alagoas

A mandiocultura em Alagoas deverá experimentar um salto tecnológico nos próximos meses. Tradicional atividade econômica em pequenas propriedades familiares no Nordeste, a produção de mandioca será revitalizada no estado por meio de ações da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) no projeto Reniva, uma rede de multiplicação e transferência de materiais propagativos de mandioca com qualidade genética e fitossanitária para os estados de Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí e Maranhão.

Com o projeto, que integra as ações do Plano Brasil Sem Miséria, o Governo Federal pretende revitalizar a cultura da mandioca na região com a introdução de novas variedades de alta qualidade e pureza, beneficiando somente em Alagoas cerca de 400 famílias de agricultores já na primeira colheita dos maniveiros – famílias que, muitas vezes, têm na atividade a única fonte de renda e alimentação.

Segundo Cláudio Nerys, técnico agrícola da Codevasf, as ações do projeto vêm sendo executadas desde janeiro deste ano. “A Embrapa, que é parceira da Codevasf na execução do projeto Reniva, realizou a identificação e seleção das manivas-sementes para indexação. São manivas de variedades de mandioca adaptadas ao semiárido. Com esse trabalho, foram selecionadas duas variedades da chamada mandioca braba, própria para produção de farinha, - a caravela e a campina - e uma variedade da mandioca doce ou de mesa – a rosinha. Essas variedades foram apresentadas e aprovados pela Câmara Técnica da Mandioca em Alagoas”, informou o integrante da equipe do projeto na Codevasf em Alagoas.

Nerys também adiantou que, em abril, a Codevasf dará início a implantação de unidades de multiplicação de mandioca em Alagoas, que serão responsáveis por multiplicar as variedades de mandioca com qualidade genética e fitossanitária já selecionadas e aprovadas. Foram definidas quatro áreas para a implantação das unidades de multiplicação localizadas nos municípios de Arapiraca, Porto Real do Colégio, Junqueiro e Penedo.

"A Codevasf contratou recentemente, após processo licitatório, a empresa que fará a implantação das unidades de multiplicação da mandioca. Essas unidades contarão em sua estrutura com galpões, cerca perimetral, poços artesianos, rede elétrica com casa de bombas e sistema de irrigação para 10 hectares. Serão três unidades com área de 3 hectares e uma com área de 1 hectare”, detalhou Nerys.

De acordo com ele, após o processo de multiplicação as variedades de mandioca selecionadas serão propagadas por todos os municípios da área de atuação da Codevasf em Alagoas. “Até o inverno do próximo ano, estaremos distribuindo as manivas-sementes para os agricultores familiares de Alagoas”, avisou Nerys. Inicialmente, serão investidos R$ 1,1 milhão no projeto no estado de Alagoas, e os recursos são oriundos da Secretaria de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração Nacional (SDR/MI).

FOROS DE DISCUSSÃO

As Câmaras Técnicas constituem um foro de caráter consultivo, pertencentes ao Conselho do Agronegócio e vinculadas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), sendo compostas por representantes de produtores, consumidores, trabalhadores, entidades empresariais e organizações não governamentais, bem como de órgãos públicos relacionados aos arranjos produtivos aos quais se referem.

A Codevasf ocupa assento na Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Mandioca e Derivados, com o objetivo de colaborar com o desenvolvimento das atividades inerentes a essa cadeia produtiva, além de promover a articulação dos agentes públicos e privados, definindo ações prioritárias de interesse comum, visando à atuação sistêmica e integrada dos diferentes segmentos produtivos.

FAMÍLIAS CADASTRADAS

Paralelamente à fase de multiplicação das manivas-sementes, a Codevasf fará o cadastramento das famílias que serão beneficiadas com o repasse das variedades de mandioca selecionadas. Inicialmente serão cadastrados cerca de 400 agricultores familiares nos municípios da área de atuação da companhia em Alagoas.

Para participar do projeto, as famílias devem estar enquadradas e cadastradas no perfil de atendimento nas ações de inclusão produtiva do Plano Brasil Sem Miséria (PBSM) do Governo Federal, que se destina a famílias em situação de extrema pobreza e com renda per capita familiar mensal de até R$ 77,00. Caso a família não seja cadastrada no Cadastro Único do Governo Federal (Cadúnico) e se enquadrar no perfil do PBSM, ela deverá procurar a Secretaria de Ação Social do município e solicitar o seu cadastramento.

O presidente da Câmara Setorial da Mandioca de Alagoas, Eloísio Lopes, comemora a chegada do projeto Reniva ao estado. “Esse projeto resultará numa mandioca melhorada para o agricultor família, que foi o grande responsável pela preservação da atividade no Brasil. A base da produção de mandioca é da agricultura familiar, especialmente no Nordeste. Entendemos que o principal ganho do projeto seja a garantia dos níveis de produtividades da mandioca para a produção familiar, que hoje estão muito baixos. E o projeto Reniva veio recuperar essa cultura. Esse é o maior investimento em pesquisa e desenvolvimento da cultura da mandioca da história do Brasil”, destacou.

Para ele, a participação da Codevasf na execução do projeto é natural, pois sua atuação na região Nordeste é estruturada. “A Codevasf está de parabéns pela atuação no projeto. Ela tem uma tradição na área de agricultura e precisávamos que a Codevasf assumisse essa cadeia da mandioca, que é muito importante para a agricultura familiar. Sabemos da capacidade técnica dos profissionais que trabalham na companhia”, afirmou Lopes.

Segundo dados do IBGE, no Brasil, a área plantada com mandioca em 2014 foi de cerca de 1,6 milhão de hectares, resultando numa produção de aproximadamente 23 milhões de toneladas. No estado de Alagoas, cerca de 18 mil hectares estão plantados com mandioca, alcançando uma produção de 224,7 mil toneladas. A mandiocultura está presente em todo o estado. O município de Arapiraca se destaca, tendo atingindo em 2013 uma produção de 55 mil toneladas.

Fonte: Ascom / Codevasf

Fonte: Extra | 27/02/2015