Após ampliação dos estoques, compradores saem do mercado, mas preços da mandioca ainda se mantém nos R$340,00/ton

No primeiro trimestre do ano a melhora na participação das indústrias, com objetivo de ampliar seus estoques, colaborou para o maior volume processado de mandioca desde 2006, segundo levantamento do Cepea. No trimestre, a indústria de fécula processou 666,5 mil toneladas, aumento de 29% frente ao mesmo período de 2015.

Esse fator impulsionou os preços da raiz em todo o país. Em março, o valor médio a prazo da tonelada de mandioca posta em fecularia foi de R$ 324,06, valorização de 69% no comparativo com o mesmo período do ano passado.

O pesquisador do Centro, Fábio Isaias Felipe, explica que a maior participação das fecularias foi motivada pela perspectiva de um segundo semestre com preços da matéria-prima mais caro. Mas, não foram sós as fecularias que participaram ativamente nestes primeiros três meses, as farinheiras "do nordeste também tiveram esse movimento em função de uma demanda imediata e local", explica.

Já em abril, com os estoques elevados, as indústrias voltaram a recuar do mercado. Ainda assim, as cotações se mantêm no patamar dos R$ 340,00/tonelada, refletindo uma oferta baixa.

"Não chove bem nas regiões produtoras, localidades com mais de 30 dias sem chuvas, fator que amenizou pressões sobre os preços da raiz. Além disso, a oferta de mandioca pode diminuir no segundo semestre, o que tenderia a sustentar as cotações", considera o pesquisador.

Outro fator de alta são as sucessivas altas dos preços do amido de milho, que é o principal concorrente da fécula de mandioca. Mais competitiva a demanda pela fécula também está aquecida neste período.

Embora o preço tenha voltado a ser atrativo - acima dos custos de produção - os casos de endividamento e de dificuldades de acesso ao crédito, ainda é uma preocupação para o setor. "De fato remunera a atividade, porém não ameniza a situação do produtor. Sabemos que eles vêm de duas safras complicadas e esse atual patamar é somente um alento", ressalta Felipe.

Esse cenário de ligeira recuperação poderá refletir também, em uma melhor graduar da oferta na próxima safra.

Por: Aleksander Horta e Larissa Albuquerque
Fonte: Notícias Agrícolas

Fonte: Noticias Agrícola | 25/04/2016