Exclusivo: Ministério da Fazenda admite baixar juro do crédito rural

O Ministério da Fazenda, sempre duro nas negociações com o agronegócio, já admite uma significativa redução nos juros oficiais do crédito rural para a safra 2018/2019.

Nos bastidores, apurou o Blog, avalia-se uma queda entre 2 e 3 pontos percentuais nas taxas de custeio e comercialização. Assim, o juro de 8,5% cairia para algo entre 5,5% e 6,5% ao ano na nova safra.

Esse movimento, porém, terá um reflexo no volume de subsídios concedidos à agropecuária. Da temporada anterior para a atual, que termina em três meses, houve uma redução de R$ 1,3 bilhão nos subsídios do Tesouro Nacional ao crédito rural – de R$ 11,2 bi para R$ 9,9 bi. Para reduzir os juros rurais, esse volume deve cair para algo entre R$ 8,5 bi a R$ 8 bi.

Ou seja, haverá menos dinheiro com juro subsidiado pela União. Em compensação, o mix de juros será reduzido.

O ideal, avaliou uma fonte ao Blog, seria baixar “um por um” o juro rural em relação à Selic, que amanhã deve registrar novo recuo, agora para o piso mínimo histórico de 6,5% ao ano. “Se Selic caiu um ponto, juros rurais também caem um ponto”, afirmou. Um ressalva: nem todas as linhas terão essa redução. E mais: tudo dependerá do impacto fiscal nas contas públicas.

Para comparar: em março de 2017, a Selic estava em 12,25% ao ano. E o juro rural da safra 2016/2017 estava fixado em 9,5%. Ou seja, uma diferença de 2,75 pontos em favor do agro. Agora, a equação ficou invertida. O agro paga juro oficial 2 pontos mais caro que a Selic.

Ainda são conversar preliminares, já que as negociações entre a Fazenda e o Ministério da Agricultura nem começaram. Mas há um entendimento do papel fundamental do agro na sustentação da economia nos últimos anos. Em 2017, o PIB total cresceu 1% e o agro avançou 13% no ano! Sem contar o amplo efeito do agro na recuperação da indústria, comércio e serviços, no controle da inflação, no robusto superávit da balança comercial, na melhora das contas externas, além da sustentada geração de renda e empregos.

Ou seja, ainda vai ficar muito barato para a sociedade.

Fonte: Canal Rural | 20/03/2018