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Estudantes africanos aprendem sobre os derivados da mandioca em Cruz das Almas

18 de novembro de 2019
Estudantes africanos aprendem sobre os derivados da mandioca em Cruz das Almas

Chamada pelo antropólogo e historiador Luiz Câmara Cascudo de Rainha do Brasil, a mandioca é, de fato, um presente nas mesas brasileiras, seja cozida, frita, na forma de chips, pirão, como tapioca, biscoito de povilho, bolos, beijus, farinhas. Os produtos gerados por essa raiz foi o tema de um curso de capacitação para 26 jovens de Gana, Malawi e Nigéria, em Cruz das Almas, ao longo dessa semana. 

A iniciativa integra uma ação do Instituto Brasil África (IBRAF), que deu início ao Youth Technical Training Program (YTTP) de 2019 em parceria com a Embrapa, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ). A meta é fortalecer a relação entre o Brasil e a África nas áreas de treinamento e capacitação, além da partilha de conhecimentos. Vale salientar que acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável é a segunda meta para se alcançar o desenvolvimento sustentável, defendido pela ONU.

Para a estudante Hendrine Kachule, a participação no programa possibilitou descobrir diferentes manufaturas que são possíveis para a mandioca no Malawi. “A mandioca hoje em dia é apenas fornecida por colheitas especiais, então estamos tentando mudar para uma colheita mais comercial, voltada para a diferente gama de produtos que são feitos, como  a tapioca e outros produtos como cosméticos e para a confeitaria também, podendo até ser comida de animais”, diz, ressaltando que essa descoberta ajudará a atingir novos mercados, ganhando mais dinheiro,  fazendo a economia crescer e tendo maior segurança alimentar sobre isso.

Charlotte Obeng, outro estudante, fez questão de ressaltar que, na África, eles desconhecem a variedade de usos da mandioca, apesar de haver sementes cultivadas, fazendeiros e produtores. “O programa foi bem excitante porque pôs junto uma grande variedade de produtos feitos a partir da mandioca”, pontuou. Ela pretende aplicar tudo assim que retornar para o Malaui. “Esse processo precisa de um esforço dos agricultores, a fim de que fiquem aptos para garantir que essa linha consiga fluir”, completou, ressaltando que deseja encontrar com os pequenos agricultores locais e as pessoas que possam a viabilizar o processo.

Fisiologista vegetal, especialista em mandioca e articulador internacional da Embrapa em Cruz das Almas, Alfredo Alves ressalta que o foco do curso foi o processamento de raiz. “Todos que estiveram nesse programa são jovens, técnicos, alguns são produtores de mandioca e processadores, que têm muito interesse no empreendedorismo, e em como usar a mandioca para adicionar valores que aumentem a fonte de renda deles, e não apenas produzir e vender a raiz crua para outras pessoas utilizarem”, diz.

Alves explica que os estudantes tiveram uma visão geral sobre como se cultiva a mandioca e como produzir coisas a partir da raiz. Um caso típico foi o beiju, que é um produto que eles não conheciam. “O que eles vão usar em seus países eu chamo de inovação, porque a partir de agora poderão reproduzir por lá, com tapioca, biscoitos de polvilho.  Me lembro que, durante o coffee break, colocaram produtos de mandioca, beiju com coco, beiju colorido, que é rico em sucos de hortaliças e frutas, e eles perguntavam ‘o que é isso? Quero aprender a fazer’ ”, conta.

Vale salientar que essa é a terceira edição do curso de capacitação. “A primeira experiência durou três semanas e contou com 30 técnicos jovens africanos de 14 países de língua francesa e de língua inglesa. Agora, a duração é de uma semana”, explica.

Segundo o presidente do IBRAF, João Bosco Monte, a meta é manter a formação e intensifica-la, ampliando a formação para a banana, que são culturas importantes para o continente africano. (Do portal Correio – BA)

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