A única empresa atualmente no Paraná a utilizar helicóptero para pulverização agrícola, a Aéreo Agrícola Fornagieri (AAF), vai realizar nesta sexta-feira, dia 29, uma demonstração em lavoura de mandioca, em Dia de Campo que será promovido pelo Sindicato Rural de Paranavaí, Centro Tecnológico de Mandioca (CETEM), Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca (ABAM), Podium Alimentos, Emater e Sindicato das Indústrias de Mandioca do Paraná (SIMP). O evento será na Estância Maria Luiza, BR-158, Km 12, Tamboara, a partir das 15h30. Na ocasião será feito a aplicação de baculovírus em uma plantação de mandioca. O evento é aberto a mandiocultores e outros produtores rurais.
A empresa começou a operar neste mês de novembro, quando recebeu a certificação da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), a última necessária para começar os trabalhos. Além da ANAC, a empresa está certificada no Ministério da Agricultura, IAP, Adapar e CREA-PR. A sede administrativa está em Paranavaí e a base aérea em São Carlos do Ivaí.
De acordo com o diretor do CETEM, Claodemir Grolli, o serviço permite a pulverização das lavouras com defensivos, adubos, herbicidas fungicidas, inseticidas etc, com mais qualidade de cobertura porque, voando a baixa altitude praticamente não há deriva (desvio) do produto por conta dos ventos. “Não há dano à lavoura, como acontece na pulverização com os tratores, e também promove a boa distribuição do produto, já que a altura da aplicação é semelhante a aplicação terrestre (trator)”, diz ele.
O diretor do CETEM também destaca que a manobrabilidade do helicóptero permite “fechar” a área com lavoura, inclusive com “retoques nas bordas” da roça, e que o sistema, evitando a deriva e direcionando melhor o spray do produto, não coloca em risco lavouras vizinhas.
Grolli destaca ainda que a pulverização aero agrícola é mais rápida e eficiente no caso de um ataque rápido de uma praga. “Se fôssemos esperar para lançar o produto com o trator a demora poderia comprometer toda a lavoura”, diz ele.
No caso da utilização do helicóptero para a pulverização, Grolli lembra que como a aeronave utiliza um espaço na propriedade para pouso e decolagem, o produto a ser pulverizado é preparado no local da aplicação. “Não há necessidade do técnico se deslocar para fazer a verificação do produto até um aeroporto que servirá de base para o avião a ser usado no serviço”, explica ele.
USO DE HELICÓPTERO COMEÇO EM 2015
A utilização de helicópteros na pulverização agrícola começou no Brasil em 2015 e, segundo se apurou, apenas três empresas estão homologadas para operar no país com este tipo de aeronave neste serviço – a do Paraná e mais duas em São Paulo. Nos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia o serviço já existe há mais tempo e a estimativa é que 40% das lavouras agrícolas nestes países são pulverizadas com helicóptero. O Japão também está começando a usar este modelo de aeronave na pulverização aérea
A AAF, segundo seus diretores, José Luiz Fornagieri, Marco Rodrigues e Eduardo Noronha, todos pilotos e os dois últimos com especialização em aviação agrícola, informam que a empresa usa o modelo Robinson 44 Haven II, que são os mais vendidos no mundo e um dos dois que são homologados pela FAA (A Anac americana) e a ANAC para este tipo de serviço.
O sistema de pulverização (que é acoplado a aeronave entre o cockpit e os esquis) é importado dos Estados Unidos e a Fornagieri já encomendou mais um conjunto para colocar em operação uma segunda aeronave. Os comandantes afirmam que usam o DGPS de alta tecnologia na aplicação e que o helicóptero permite fazer as bordaduras e arremates com alta precisão. Na aplicação na lavoura, a aeronave permite variar a velocidade para garantir a eficiência do serviço. É usado também o fluxômetro para dar a vazão ideal da calda por hectare e como as curvas de reversão são reduzidas, há melhor aproveitamento do produto.
Embora a empresa começou a operar oficialmente há três semanas, os dois pilotos agrícolas (que são instrutores da especialidade) já tem uma larga experiência numa empresa parceira de São Paulo ne na região têm se dedicado quase que exclusivamente para a cultura de mandioca. Na região já foram pulverizados cerca de 250 hectares de mandioca. Na verdade, dizem eles, não há registro da utilização de helicópteros para pulverização de lavouras de mandioca em outras regiões e épocas. É a primeira vez que está sendo usado este modelo de aeronave para a pulverização da lavoura de mandioca.
Entre as vantagens que eles apontam estão que o serviço é ecologicamente correto, pois o produto é lançado a baixa altitude, há um sistema de pressão para conduzi-lo diretamente à lavoura e as pás da aeronave produzem um jato de ar para baixo; área de pouso no local da aplicação (nunca utilizando mais que 400 m², inclusive para o caminhão de apoio); o uso do produto mais concentrado (menos água), pulverização em terrenos acidentados, entre outros.
O custo do serviço depende de alguns fatores, como a distância entre a base e a área a ser aplicada, pois tem o valor do translado da aeronave e o caminhão com misturador, que fica entre R$ 2.500 e R$ 3.000 (para até 140 quilômetros de distância – área mas próxima reduz o valor mais o valor pela área pulverizada que varia de R$ 65,00 a R$ 80,00 o hectare. Além do piloto e motorista, participam da operação um agrônomo e um técnico agrícola.
A viabilidade da pulverização com o helicóptero pode ter como referências áreas com 50 hectares. “Mas os pequenos produtores podem se juntar e contratar o serviço”, sugere Grolli.