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Estamos no período de plantio da mandioca e neste momento o produtor deve também se preocupar em fazer um bom manejo das plantas daninhas para evitar competição pelos insumos aplicados na cultura e, garantir uma colheita com elevados índices de produtividade.
O manejo químico das plantas daninhas é de fato o principal método utilizado na cultura da mandioca, devido a sua praticidade e ser de baixo custo. Entretanto, antes da tomada de decisão pela adoção do manejo químico torna-se necessário por parte dos produtores, atenção à alguns critérios técnicos e agronômicos para se obter a máxima eficiência no controle das espécies alvo e ao mesmo tempo, garantir proteção ao ambiente. Além disso, a utilização das ‘Boas Práticas Agrícolas’ irá auxiliar no bom desenvolvimento da cultura, produzindo alimento de forma segura e de qualidade para os consumidores.
Para a recomendação do herbicida ideal deve se ter pleno conhecimento da composição florística das espécies de plantas daninhas predominantes na área, uma vez que os herbicidas são classificados de acordo com o grupo vegetal que controlam, como exemplo os gramicidas ou latifolicidas. Os herbicidas devem ainda possuir registro para uso na cultura da mandioca, além de ter um custo de aquisição baixo, obviamente.
A cultura da mandioca, possui poucos herbicidas registrados o que limita as opções de escolha. Atualmente, há algumas opções para utilização do manejo das plantas daninhas e palhada em pré-plantio (dessecantes), entretanto, a grande maioria dos herbicidas registrados são para uso em pré-emergência da comunidade infestante e da cultura. Dentre os herbicidas pós-emergentes, tem-se apenas os indicados para o controle de gramíneas.
Os dessecantes podem ser utilizados no manejo de plantas de cobertura ou das culturas anteriores e serem empregados no sistema de plantio direto da mandioca na palha. Os dessecantes de ação de contato devem ser aplicados com adjuvantes e volumes suficientes para cobrir completamente o alvo, caso contrário sua eficiência pode ser reduzida significativamente. Já os dessecantes de ação de sistêmica, apresentam melhor redistribuição na planta alvo e podem ser aplicados sem adjuvante e em volumes menores. A palhada sobre o solo nos meses iniciais de desenvolvimento da cultura pode reduzir significativamente o fluxo de emergência do banco de sementes e auxiliar na complementação de outras estratégias de controle.
Para o uso de pré-emergentes no sistema convencional, o solo deve estar livre de torrões e com boa umidade. A presença de torrões prejudica a distribuição das gotas na superfície do solo e a baixa umidade aumenta o risco de perda do herbicida por volatilização e a degradação devido à alta temperatura e a radiação ultravioleta. A umidade do solo melhora a distribuição do herbicida no perfil do solo e o processo de absorção pelas sementes das espécies das plantas daninhas. Estes cuidados no momento da aplicação dos herbicidas pré-emergentes proporcionam maior efeito residual no controle do banco de sementes.
No campo, geralmente as infestações das plantas daninhas ocorrem com um grande número de espécies diferentes, o que limita a realização do controle com apenas um tipo de herbicida. Nestes casos, pode-se aplicar misturas de herbicidas com distintos mecanismos de ação para aumentar o espectro de controle. Para a mandioca, existe apenas uma mistura comercial registrada, entretanto, com base nas indicações dos rótulos e bulas dos herbicidas registrados e com a orientação um engenheiro agrônomo pode-se utilizar misturas em tanques (Instrução Normativa nº 40, de 11/10/2018 do MAPA).
Se houver escapes de controle após o manejo com os herbicidas pré-emergentes, será necessário o uso de herbicidas em pós-emergência das plantas daninhas e da mandioca. Nesta situação, se as plantas daninhas que escaparam ao controle forem gramíneas, o produtor poderá complementar facilmente o manejo com as opções de herbicidas registrados no mercado. Contudo, se as plantas daninhas que escaparam ao controle forem folhas largas, a complementação do controle fica prejudicada por não se ter opções de herbicidas seletivos para esta modalidade de aplicação na cultura da mandioca.
Alternativamente, para garantir que o controle das plantas daninhas seja efetivo por todo o período crítico da cultura que normalmente se estende por até 100 dias após o plantio, ou até o fechamento das entrelinhas pelo o dossel da planta, o produtor pode adotar diversas estratégias. Dentre algumas, pode-se dá como exemplo a aplicação inicial de pré-emergentes (com ou sem mistura em tanque) e uma aplicação sequencial de pré-emergentes aos 30 ou 40 dias da primeira aplicação. A aplicação sequencial do pré-emergente deve ser feita com solo úmido e antes do novo fluxo de emergência do banco de sementes, bem como a variedade da mandioca deve ser tolerante a dose utilizada do herbicida. Os inibidores dos carotenoides e da divisão celular, geralmente apresentam boa seletividade a maioria das variedades de mandioca, nas aplicações em pós-emergência da cultura.
Em algumas situações, os dessecantes também podem ser utilizados no controle das plantas daninhas em pós-emergência da mandioca, desde que seja aplicado em jato dirigido. Em grandes áreas, a aplicação em jato dirigido exigirá o aprimoramento das técnicas de aplicação e do uso de equipamentos adaptados para evitar a deriva nas entrelinhas da cultura.
Vale lembrar, que o uso dos mesmos herbicidas ao longo do tempo seleciona indivíduos dentro da população das plantas daninhas que são resistentes aos mecanismos de ação utilizados. Para se evitar este problema, recomenda-se sempre que possível a rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação, além de práticas integradas de controle de médio e longo prazo.
Por fim, a atenção aos cuidados no uso dos herbicidas vem de encontro a necessidade de atender aos novos procedimentos para a aplicação da rastreabilidade ao longo da cadeia produtiva de produtos derivados da mandioca, para fins de monitoramento e controle de resíduos de agrotóxicos de acordo com a Instrução Normativa Conjunta ANVISA-MAPA nº 2 de 07/02/2018, o que obrigará o uso mais racional das poucas opções de produtos disponíveis de forma a conferir maior sustentabilidade ao sistema de produção da mandioca e consequentemente maior lucratividade ao produtor.